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Fluxo de Aprendizagem Andragógica (Knowles)

Fluxo de Aprendizagem Andragógica (Knowles)

Knowles, o Pai da Andragogia, escreveu sobre o “Fluxo de Aprendizagem Andragógica”, conteúdo importantíssimo para o educador de adultos.

Já indicamos por aqui o livro Modern Practice of Adult Education, de Malcolm Knowles, conhecido por muitos como o “Pai da Andragogia”. Caso você ainda não tenha lido, no capítulo 4 (What is Andragogy?) você encontrará o que chamamos aqui de “Fluxo de Aprendizagem Andragógica”, conteúdo importantíssimo para qualquer educador de adultos.

Malcolm Knowles criou um fluxo de aprendizagem andragógica como o principal recurso para a educação de adultos. Abaixo temos as 5 etapas criadas pelo educador americano:

The learning climate (O clima de aprendizado) – Segundo Knowles, o educador precisa estabelecer um clima conducente à aprendizagem, pois ao ensinar um adulto o ambiente afeta diretamente o desempenho da turma. O “Pai da Andragogia” sugere que o ambiente físico ideal é aquele que deixa o aluno adulto confortável e à vontade. É claro que em uma instituição de ensino nem sempre é possível trabalharmos com decorações, mas podemos mexer no posicionamento da sala, iluminação e até mesmo acústica, sempre pensando em deixar o aluno bem acomodado.

Ainda mais importante que o ambiente físico, é o clima psicológico, que faz com que os alunos adultos se sintam aceitos, respeitados e apoiados pelo educador. É importante deixar claro que existe um espírito de mutualidade entre o educador e os alunos, assim como a liberdade de expressão, onde todos podem opinar, criticar e se expressar sem medo de punição ou ser exposto ao ridículo.

Quando construímos um ambiente como esse, o aluno se sente mais ‘adulto’ por estar em um local amigável e informal, no qual o educador lhe chama pelo nome, é respeitado e tratado como um indivíduo único, e não como mais um aluno em qualquer que seja a disciplina.

Alguns estudos apontam que quando os alunos entram em uma sala de aula e encontram as cadeiras enfileiradas, como acontece no ensino fundamental e médio, automaticamente se sentem crianças e passam a ser passivos no processo de ensino-aprendizagem.

Knowles defende que além do ambiente físico e do clima psicológico, o comportamento do educador irá influenciar o processo de aprendizagem mais do que qualquer outro fator. Se o educador mostra respeito e interesse pelo que os alunos compartilham em sala de aula, tende a fazer com que o clima seja harmonioso e agradável. Chamar os alunos pelo nome (especialmente pelo primeiro), transmite um conjunto de atitudes positivas.

Saber ouvir é fundamental, e já falamos sobre isso em outros artigos aqui no portal Andragogia Brasil. O educador americano defende que ouvir o que o aluno diz e incentivar para que compartilhem suas experiências é um diferencial para o andragogo e para o clima de aprendizado.

Diagnosis of needs (O diagnóstico das necessidades) – Se você já estuda a Andragogia, sabe que existe um conflito com a prática tradicional de ensino onde um educador diz aos alunos o que eles precisam estudar. Na verdade, é o mais comum nas instituições de ensino, e infelizmente isso vai demorar a mudar. Mas há anos Knowles já dizia que os alunos adultos só irão aprender aquilo que lhes interessa ou for relacionada com alguma necessidade de aprendizagem.

O educador americano acreditava que o educador precisa diagnosticar as necessidades de aprendizagem, envolvendo os alunos adultos no processo de ensino-aprendizagem, ou da orientação-aprendizagem, como defendem vários outros educadores. O processo de diagnóstico consiste em 3 fases, são elas:

1) A construção de um modelo das competências ou características necessárias para se atingir um modelo ideal de desempenho, de modo que o aluno tenha alguma visão das competências necessárias para se tornar um “bom aprendiz”. É nesta fase de construção de modelos que os valores e as expectativas do educador, da instituição e da sociedade são amalgamados com os do aluno em uma imagem composta;

2) proporcionar experiências de diagnóstico no qual o os alunos podem avaliar o seu atual nível de competências à luz dos retratados no modelo; esta é uma área subdesenvolvida da tecnologia andragógica, mas que não necessariamente existe um fermento de invenção. Técnicas tais como incidente crítico de processos, sociodrama, jogos informáticos, métodos laboratoriais, e exercícios de simulação estão sendo desenvolvidos para permitir que os alunos realizem e, em seguida, obtenham feedback para ajudá-los a avaliar objetivamente seus pontos fortes e fracos de desempenho;

3) ajudar os alunos para medir as diferenças entre as suas competências atuais e as requeridas pelo modelo, de modo que eles experimentam um sentimento de insatisfação sobre a distância entre onde estão e onde eles gostariam de chegar, e com isso serem capazes de identificar instruções específicas de crescimento desejável. Esta vivência de auto insatisfação com a situação atual, juntamente com um sentido claro de direção para auto aperfeiçoamento, é de fato uma boa definição de como “motivar para aprender.”

The planning process (O processo de planejamento) – Como educador de adultos, devemos elaborar um plano de experiências de aprendizagem. Como isso funciona? De acordo com Malcolm Knowles é natural do ser humano comprometer-se com uma decisão (ou atividade) na medida que eles tenham participado do planejamento. Quando em um modelo tradicional um educador chega em sala de aula com as atividades já planejadas, geralmente causa na turma uma apatia e provável falta de interesse, pois é uma imposição da vontade do educador ou da própria instituição.

Knowles sugere que o educador envolva os alunos adultos até mesmo no planejamento das atividades de sala, fazendo com que se sintam responsáveis pelo próprio aprendizado. Ao envolvê-los, o educador conseguirá traduzir as necessidades diagnosticadas de aprendizagem, identificar as experiências de cada um dos alunos e conforme as atividades vão sendo aplicadas, poderá mostrar aos alunos como os objetivos estão sendo cumpridos de acordo com aquilo que eles propuseram no planejamento.

Nos conceitos andragógicos a responsabilidade por definir como serão as atividades em sala de aula devem ser do educador em conjunto com os alunos, sendo que para cada turma diferente, um novo planejamento deve ser feito. Isso irá variar muito de acordo com o perfil da turma, carga horária disponível e até mesmo uma relação prévia entre educador e alunos, uma vez que já possam ter trabalho juntos em outra ocasião.

Conducting learning experiences (Condução das experiências de aprendizagem) – No modelo pedagógico tradicional o educador aprende como ‘ensinar’ e cai sobre ele a responsabilidade total pelo que acontece no processo de ensino-aprendizagem. O papel do aluno é estar presente na sala de aula e ser um receptor passivo das informações e instruções passadas pelo educador que está à frente dele. Isso já tratamos em outros artigos e chamamos de ensino “top-down”, situação bem comum encontrada nas instituições de ensino.

Quando falamos das práticas andragógicas e do auto aprendizado, a responsabilidade em sala de aula passa a ser tanto do educador como dos alunos adultos. Na verdade, o educador acaba se tornando responsável por apresentar os processos, técnicas de aprendizado e sugestão de materiais adequados que possam facilitar no processo de aprendizagem.

Knowles cita em seu livro algo que levo como um enorme aprendizado sobre o processo de ensino-aprendizagem. O educador americano diz que quando ele sucumbia à compulsão de ‘apenas’ ensinar os alunos algo que ele sabia que os alunos deveriam saber, em vez de ensinar, ele fazia questão de incentivar nos aprendizes a necessidade por aquele conteúdo ou tema, e se limitava apenas a mostrar o caminho e conduzi-los para aquele aprendizado. Essa prática vai muito de encontro com o que faziam os pensadores antigos (Platão, Aristóteles, Cícero e vários outros) quando seguiam o Método Socrático.

Evaluation of learning (Avaliação da aprendizagem) – Provavelmente um dos maiores conflitos entre a Pedagogia e a Andragogia seja o ato do educador ter que dar uma nota a um aluno. Primeiramente devemos entender que nada pode deixar um adulto se sentir mais infantil, do que ser julgado por outro aluno, pois muitos tratam isso como um sinal de desrespeito e dependência.

Nos conceitos andragógicos o educador dedica sua energia em sala de aula para ajudar os alunos adultos a obter provas para si sobre o progresso que eles estão fazendo em relação a seus objetivos educacionais. A avaliação deve ser um mútuo compromisso, entre educador e o aluno adulto, com o propósito de comparar a eficiência das atividades de ensino-aprendizagem e os ganhos (ou não) de experiências e desenvolvimento de competências.

Ao final de uma experiência (forma com que Knowles chama uma aula), os alunos devem entender que a aprendizagem é um processo contínuo e em vez de avaliar a turma através de uma avaliação tradicional, com questões e nota mínima para aprovação, procura fazê-los entender que ali se encerrou um ciclo e logo se começa um outro. A questão é mostrar aos alunos que antes de iniciar a experiência, eles tinham tanto de conhecimentos e vivenciado tais situações, e que agora ao término da aula, eles foram os principais responsáveis pelos resultados obtidos.

Gostou de conhecer sobre o Fluxo de Aprendizagem Andragógica? Temos mais conteúdo como esse em nosso curso sobre Andragogia – Formação de Adultos.

Caio Beck
ADMINISTRATOR
AUTOR

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