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Aprender fazendo: Learning by doing

Aprender fazendo: Learning by doing

Quem trabalha com educação de adultos, sabe que a aprendizagem na prática é uma das formas mais eficazes de reter um novo conhecimento.

Hoje escrevo sobre o método aprender fazendo, idealizado por John Dewey, que defendeu a educação como um processo de reconstrução e reorganização das experiências adquiridas que irão influenciar as experiências futuras. O educador e filósofo americano acreditava que tudo são experiências e possibilidades na educação pelo envolvimento do aprendiz na atividade.

Não é algo novo, pois há muito se fala sobre aprender fazendo, ou ‘learning by doing’. Inclusive, posso citar outros autores/educadores como Maria Montessori e Célestin Freinet, que defendem o learning by doing, mesmo que não utilizando esse nome em seus métodos próprios. A ação e experimentação de Montessori e a ação da “educação pelo trabalho” de Freinet, estão de acordo com a metodologia que utiliza a prática como uma forma eficaz de aprendizagem.

Já publiquei por aqui um artigo sobre o método de aprendizagem 70:20:10, que defende muito o ensino através da prática, de aprender no dia-a-dia, através de situações reais, que vai totalmente de encontro com o método idealizado por Dewey. Sendo assim, penso que tanto no meio acadêmico, como no empresarial, métodos como o learning by doing e o 70:20:10 devem ser aplicados, por estarem intimamente relacionados ao autodesenvolvimento do ser adulto, algo que a Andragogia defende há tempos.

Tais metodologias envolvem o ensino e o aprendizado através de atividades experienciais, permitindo o descobrir, a pesquisa, a auto-avaliação, assim como também a ousadia, a tentativa e possíveis lições com os erros que venham a acontecer. Precisamos que nossos alunos errem e aprendam com isso, para que descubram formas de como não fazer, se motivem com os desafios e tragam novas soluções para os problemas encontrados. É mais ou menos como aprendemos a andar, uma vez que para isso, não havia necessidade de frequentar uma sala de aula, assistir um tutorial ou ler um manual. O bebê vai andar apenas pelo estímulo de querer andar e a única forma de aprender é andando.

Em seu livro Democracia e Educação (1916), Dewey detalha melhor sua ideia sobre a aprendizagem na prática, inclusive faz relações com as teorias educacionais de Platão e Rousseau, mostrando que não é de hoje que o ser humano tem mais êxito ao aprender fazendo. É uma ótima leitura, recomendo!

Dewey fundou, em 1896, a University of Chicago Laboratory Schools, instituição onde os alunos são incentivados a aprender através da experiência e aplicar as lições para obter resultados práticos. Viajou o mundo dando palestras em lugares como a Europa, China e Japão, defendendo suas ideias de educação. Com o passar do tempo e inspirados nas ideias educacionais de Dewey, muitos outros educadores desenvolveram métodos, técnicas e ferramentas de aprendizagem que são aplicadas em nossas salas de aula.

Inspirados nas práticas de Dewey, outras instituições criaram programas voltados ao ‘aprender fazendo’, como é o caso da Universidade Mandragon, localizada no extremo norte da Espanha, que incentiva seus alunos a aprenderem na prática e depois pede que compartilhem as experiências entre eles. O mesmo acontece na Steve Jobs School, Lawrenceville School, Cal Poly Pomona, dentre diversas outras instituições que incentivam seus alunos a desenvolverem a criatividade através de atividades práticas, despertando o senso crítico e colaborativo.

Se você é um professor, instrutor ou atua com desenvolvimento de pessoas, já deve ter percebido a necessidade do adulto em querer atividades práticas. Ficar apenas na teoria e na retórica não satisfaz completamente o aprendiz, uma vez que ele quer saber como e onde aplicar o conhecimento. Também já comentei por aqui que para desenvolvermos uma competência, seja técnica ou comportamental, precisamos do conhecimento (teoria), mas também desenvolver a habilidade (prática – aprender fazendo).

Para finalizar, deixo aqui uma frase de Aristóteles: É fazendo que se aprende a fazer aquilo que se deve aprender a fazer.

1 comentário
Caio Beck
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1 Comentário

  • THOBIAS
    junho 23, 2018, 12:10 am

    Muito, faço isso. Manda o artigo para mim.

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