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Ser educador é uma profissão controversa

Ser educador é uma profissão controversa

Não temos hoje um modelo ideal de professor, um ‘template’ que podemos usar como referência ou inspiração, o que torna a profissão controversa.

Assim como a maioria de vocês, escolhi ser um educador. Mesmo não sendo uma profissão de muito valor (pelo menos aqui no Brasil), mais de 2 milhões de brasileiros atuam como educadores. Sabiam disso? Neste artigo não pretendo falar sobre o baixo salário, a falta de qualificação, os frequentes protestos/greves ou possíveis apoios que o educador brasileiro deveria receber, e sim, falar sobre como ser educador é uma profissão controversa.

De acordo com o dicionário, controversa é algo que gera controvérsia ou discussão acalorada; algo duvidoso, discutido e contestado. É exatamente isso que nossa profissão é, sabe por que? Não temos hoje um modelo ideal de professor, um ‘template’ pronto que podemos usar como referência ou inspiração para termos êxito em nossas práticas educacionais. Se perguntarmos aos nossos alunos, como é o ‘professor ideal‘, poucos saberão responder.

É claro que estamos falando de pessoas, tanto as que ensinam, como as que recebem o aprendizado. Portanto, dificilmente teremos um comportamento padrão, um perfil de exemplo ou práticas que seriam as corretas, mas, como como qualquer profissão, precisamos de um caminho a seguir, uma orientação, possíveis referências de educadores que obtiveram êxito em suas funções. A questão é: encontraríamos um professor que agrada à todos?

Bernard Charlot, um pesquisador francês, é muito feliz quando diz que: “Se o professor é jovem, não tem experiência, se é velho, está superado. Se chama atenção, é grosso, se não chama atenção, não tem moral. Se usa o português corretamente, ninguém entende, mas se fala a linguagem do aluno, não tem vocabulário. Se o aluno é aprovado, deu mole, se o aluno é reprovado é perseguição.” Vai entender!

Acredito que nem mesmo Piaget, Vygotsky, Marx, Dewey, Freud, Knowles, Freire e vários outros agradaram 100% de seus aprendizes. Também não o faz o médico, o advogado, o jardineiro, o engenheiro, nem qualquer outro profissional. A questão é que o professor brasileiro é muito criticado, talvez por não ter uma ‘receita’ de como se comportar em sala de aula, portanto está sujeito a erros e acertos.

Perceba que essa visão sobre o educador não parte apenas do aluno aprendiz e sim da comunidade, da instituição de ensino, dos pais e até mesmo dos demais professores. ‘Ele fala rápido demais’, ‘Essa aí não dá exemplos’, ‘Não gostei do tom de voz dele’, ‘Nossa, que absurdo nos passar atividades sendo que temos muito a fazer fora de sala de aula’, ‘Não aceito que me avalie dessa forma’, blá-blá-blá.

Na perspectiva do educador, nem sempre é fácil tomar decisões sobre pessoas e há ocasiões em que os educadores descobrem que, com suas avaliações, podem afetar de maneira importante o futuro de um aluno. Por não termos bem definido nosso papel como educador, gera uma fonte de tensão, sobretudo quando se tenta representar papéis inadequados de seleção social ou de senhores absolutos do suspenso e do aprovado.

Os educadores iniciantes costumam estar excessivamente preocupados com o juízo de seus alunos sobre eles e, além disso, pela opinião de seus diretores e supervisores, dos próprios colegas de profissão e da comunidade acadêmica em geral. De fato, a pressão é grande, ainda mais quando sabemos que a maioria dos alunos não dá o devido respeito e reconhecimento que um educador merece.

Voltando ao escritor e pesquisador francês, Charlot relata que um de seus alunos certo dia fez o seguinte comentário: “Na escola gosto de tudo, fora as aulas e os professores”. Sim, é com isso que temos que lidar ao escolhermos a profissão de educador. Culpa nossa? Não, mas cabe a nós fazer com que os aprendizes se interessem pelo conteúdo estudado e consequentemente gostem também das aulas.

Finalizo o artigo de hoje com a seguinte mensagem da educadora Dora Incontri:

‘A capacidade para educar está muito além dos conhecimentos técnicos adquiridos num curso de pedagogia. Ser educador é muito mais do que ser professor. Para ser educador, não basta conhecer teorias, aplicar metodologias, é preciso uma predisposição interna, uma compreensão mais ampla da vida, um esforço sincero em promover a própria auto-educação, pois o educador verdadeiro é aquele que antes de falar, exemplifica; antes de teorizar, sente e antes de ser profissional é um ser humano.’

Você concorda que ser educador é uma profissão controversa? Então deixe seu comentário no artigo e nos ajude a divulgar, compartilhando com sua rede.


Para referenciar o artigo, utilizar:

– Beck, C. (2017). Ser educador é uma profissão controversa. Andragogia Brasil. Disponível em: https://andragogiabrasil.com.br/profissao-controversa/

Caio Beck
ADMINISTRATOR
AUTOR

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