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Autoavaliação em sala é possível?

Autoavaliação em sala é possível?

Na maioria das formações de adultos, ao término no programa se aplicam provas. E a autoavaliação feita pelo próprio aprendiz, é possível?

Hoje escrevo sobre a autoavaliação em sala de aula, algo que foge um pouco do modelo tradicional de ensino, mas que algumas instituições (com a cabeça lá na frente) já estão adotando.

Quando falo de autoavaliação estou me referindo a participação do aluno na identificação e seleção de padrões/critérios aplicados em sua própria aprendizagem. É o saber olhar para dentro e analisar seu desempenho, suas atitudes, seus resultados atingidos.

Essa avaliação do ‘eu’ pode ser feita individualmente (self-assessment), em pares (peer assessment peer review) e também em forma de co-avaliação (co-assessment / collaborative assessment), sendo que nesta última existe uma colaboração do educador no processo avaliativo.

Bem, o que penso sobre esse formato? É simples. Já existem escolas em que o próprio aluno corrige a avaliação realizada. Sim, é isso mesmo! O aluno finaliza a avaliação e na sequência faz a correção. (pausa) Talvez nesse momento você deve estar pensando “ahh, mas isso não funciona”, “vão burlar o sistema, apagar os erros e refazer”, “mas eu sou o professor, esse papel de corrigir é meu!”.

Perceba que quando o aluno olha para dentro e identifica uma falha, sem que ninguém precise apontar ou sublinhar em caneta vermelha, é uma forma de ‘aprender com o próprio erro’. Quando o professor, no modelo tradicional, diz ao aluno: “Fulano, você errou a questão 4, 7 e a 10”, que diferença faz?

Receber uma nota 8, fará diferença no desenvolvimento do aprendiz? É a famosa fita métrica que José Pacheco e tantos outros educadores criticam. Que sentido faz não permitir que um ser humano aprenda com seus deslizes? O que faz sentido é o aluno ter a possibilidade de identificar que errou um nome de um personagem histórico, equivocou-se numa fórmula matemática ou confundiu um determinado país na avaliação de geografia. Ao confundir um ‘+’ com ‘-‘, Hitler com Mussolini, Cuiabá com Curitiba, dificilmente não aprenderá com isso, pois percebeu a falha.

O ser adulto gosta de conduzir sua própria aprendizagem, assim como a forma de avaliação. Numa universidade, não faz sentido aplicarmos provas e darmos tempo para que os alunos as entreguem. Pior ainda, é nós corrigirmos e tentarmos apontar ao João que ele é nota 7,5, que a Maria é 9,0, que o Pedro é apenas 6,0. Esse critério de avaliação colabora de que forma na aprendizagem?

Particularmente, não acredito em aprendizagem dessa forma. Também não acredito que um aluno irá autoavaliar-se quando um professor pergunta “e aí, o que você aprendeu nessa matéria?”, ou “como você avalia a sua aprendizagem?”. Esse tipo de reflexão deve ser gerada a todo momento, durante a aula, no compartilhamento de saberes e experiências, e não somente ao final da noite/disciplina/semestre.

Ah, também não adianta pedir aos alunos que deem suas próprias notas. Já viu professores fazendo isso? Infelizmente isso é muito comum em programas de MBA, pós-graduações, etc., onde o educador ‘tenta’ fugir do meio tradicional e acaba utilizando ferramentas falhas. É algo que nada acrescenta à aprendizagem, pois o aluno não tem critério ou justificativa para escolher 7, 8, 9 ou 10.

Permita e incentive que os aprendizes avaliem o nível, valor, qualidade ou êxito da própria aprendizagem! Dê a oportunidade de discussão e aceitação dos critérios adotados, de debater os erros e compartilhar os novos saberes. Um feedback qualitativo é muito mais bem-vindo do que uma pontuação ou classificação.

Para finalizar, quero te provocar e perguntar duas coisas:

o que você aprendeu nas provas que fez durante sua vida de aprendiz?

o que você aprendeu com os próprios erros, quando conseguiu olhar no espelho e percebeu a falha?

Até um próximo artigo. 😉

Caio Beck
ADMINISTRATOR
AUTOR

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