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Para que vou usar isso?

Para que vou usar isso?

Se você é ou já foi educador/instrutor de adultos, provavelmente já escutou a seguinte reclamação: ‘Para que vou usar isso que está me ensinando?’

Se você é um educador, deve saber que é comum ouvir em sala de aula a seguinte expressão: Para que vou usar isso? Quando um aluno adulto levanta tal questão, é bem provável que o educador, ao aplicar um conteúdo, não tenha relacionado a sua importância com a realidade ou aplicabilidade prática que faça sentido ao aprendiz.

Não é difícil encontrarmos alunos descontentes por não conseguirem enxergar como, onde e quando poderiam usar certo conhecimento ou informação que é compartilhada em sala de aula. Fato é que essa ‘barreira criada’ dificulta as possibilidades de aprender novos conteúdos, de ampliar sua cultura ou de desenvolver competências. Quem perde? O aluno. Quem ganha? Ninguém.

Fazer relações entre o conteúdo específico de uma aula com a realidade pessoal e profissional dos alunos, só agrega valor no rendimento da turma e soma na didática utilizada pelo educador. Ouvir do aluno expressões como “ah, isso é possível fazer”, “vou aplicar amanhã mesmo”, “legal, gostei”, ou “nunca tinha pensado nisso, faz sentido”, são frases que demonstram o acerto do educador, mais do que qualquer feedback em avaliação de reação.

Mas como chegamos nesse ponto de reconhecimento e validação da forma como o conteúdo é ensinado? Com certeza não é indicando livros e referências em inglês para turmas que não dominam um segundo idioma, nem sugerindo softwares avançados para alunos que não possuem conhecimentos específicos em tecnologias.

Já vi professores falando de produtos para turmas formadas por profissionais de serviços, outros que traziam cases e exemplos de mercados nada conhecidos pelo grupo, assim como uns que só falavam de suas experiências profissionais. O aluno adulto não quer estar em uma sala de aula e ouvir, passivamente, uma apresentação tediosa de um determinado assunto, que na visão dele, não se aplica a sua realidade.

É necessário trabalhar com estímulos diversos e estar atento para as motivações internas, as necessidades, os interesses individuais dos aprendizes, a fim de entendê-los em seus contextos, considerando as condições histórico-sócio-culturais de cada um deles, e de fato, saber o que estão buscando em sala de aula. Se você é um educador, reflita sobre isso.

Saiba quem é seu aluno, o que ele busca em sala de aula, e acima de tudo, como o conteúdo que está propondo a ele fará diferença em sua vida? Saiba que o aluno adulto é um ser livre, autônomo e capaz de tomar decisões, fazer escolhas e decidir se aceita ou não determinado aprendizado. Se a proposta não fizer sentido para ele, não há métodos, técnicas ou ferramentas que o ajudem a envolvê-lo no processo de aprendizagem.

‘Para que vou usar isso?’

Se o aprendiz não entender que está recebendo determinada orientação para que a vida pessoal/profissional dele melhore, seja mais produtiva e resolva problemas, dificilmente irá se envolver no processo de aprendizado.

Além de educador, que tal ser um orientador de soluções para os problemas dos aprendizes? Não se trata apenas de abordar conteúdos ‘úteis’ e aplicáveis a curto prazo, vai mais além, temos que mobilizar o aluno para a compreensão do conhecimento que soluciona problemas em uma empresa, na comunidade ou em qualquer outro ambiente.

Para a aprendizagem do adulto ser ativa, temos que respeitar suas experiências de vida, seus propósitos e tomar seus interesses como base para o aprendizado. Tenha certeza de que o aluno adulto está pronto para aprender o que decide aprender, o que lhe faz sentido e chama atenção. A motivação do adulto é muito mais interna, inspirada na vontade de crescer e resolver problemas, portanto, conhecendo o que motiva uma turma de aprendizes, qualquer educador pode obter sucesso.

Um educador que conhece seus alunos nunca mais precisará ouvir o questionamento “para que vou usar isso?”. Pelo contrário, passará a ouvir inúmeras soluções, vai gerar envolvimento e ter a participação dos aprendizes. Deixando claro que o conteúdo servirá para a realidade do aluno, o educador incentiva a autonomia, o autoconhecimento, a autoavaliação, articula saberes e envolve os alunos no processo de ensino-aprendizagem.

“Despertar interesse e inflamar o entusiasmo é o caminho certo para ensinar facilmente e com sucesso.” Tryon Edwards


– Beck, C. (2016). Para que vou usar isso?. Andragogia Brasil. Disponível em: https://andragogiabrasil.com.br/para-que-vou-usar-isso/

Caio Beck
ADMINISTRATOR
AUTOR

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