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Música e educação. Qual é a relação?

Música e educação. Qual é a relação?

Durante uma visita que fiz na Bett Educar, evento sobre educação, conheci um projeto chamado Música em Família. Compartilho algumas reflexões.

Recentemente estive na Bett Educar, um dos maiores eventos de educação da América Latina e tive a felicidade de conhecer muitos projetos inovadores e de alto impacto. Quase todos eram aplicativos e plataformas de aprendizagem, que se destacavam pela tecnologia com benefícios tanto para o estudante, quanto para o educador/instituição de ensino.

Confesso que após um longo dia no São Paulo Expo (centro de exposições), a iniciativa que mais me chamou a atenção não era nada empreendedora, nem apresentava uma solução muito complexa ao mercado. Talvez o impacto naqueles que ali passavam nem fosse tão grande assim, inclusive, a própria idealizadora do projeto (Paula Santisteban) assim o disse: “os jornalistas e a imprensa em geral não se interessam muito pelo nosso projeto sobre música, só querem saber daqueles mais tecnológicos”.

Música em Família, esse é o nome do projeto que conheci rapidamente e que me despertou curiosidade. Pesquisei sobre eles na internet, encontrei um site em reformulação e uma página no Facebook com mais de 33 mil seguidores. Mesmo sendo uma iniciativa com o foco na educação infantil, passei a relacionar sua aplicabilidade com a Andragogia (educação de adultos) e a refletir sobre a influência da música na aprendizagem ao longo da vida.

Para aqueles que gostam de estudar a história da educação, podemos voltar até a antiguidade grega (séc. VI a.C) e lembrar que a formação do cidadão ateniense tinha uma relação muito forte com a música, nesta época conduzida pelo citarista. Nos ginásios da Grécia Antiga, a ginástica, que se voltava ao desenvolvimento físico e era conduzida pelo pedótriba, tinha suporte da música, principalmente quando se ensinava a dança ou era feita uma atividade que exigia concentração e controle da mente.

Platão, no Protágoras (326b-326c) nos diz:‘os ritmos e harmonias a penetrar na alma das crianças, de molde a civilizá-las, e, tornando-as mais sensíveis ao ritmo e à harmonia, adestram-nas na palavra e na ação. Na verdade toda a vida humana carece de ritmo e de harmonia’.

No auge do movimento intelectual de Atenas, a música passa a ser estudada juntamente da geometria, aritmética, astronomia, gramática, dialética e da retórica (7 artes liberais). Sendo assim, a importância da música na formação do homem é coisa antiga e tem seus propósitos. Pitágoras, por exemplo, considerava que a música e a matemática poderiam fornecer a chave para os segredos do mundo, inclusive acreditava que os planetas produziam diferentes tonalidades harmônicas e que o próprio universo cantava.

Música e educação. Qual é a relação?

Neste momento te pergunto: é possível mesclar o aprendizado da música com matemática? E com filosofia? História? Quem sabe até mesmo Marketing? É claro que sim, os gregos fizeram da música uma forma de pensar e de ser. Perceba que a música está muito ligada ao comportamento, gostos, estilos e com a forma de agir no cotidiano. Estamos falando de cognição, memória, sentimentos e experiências. A música, mesmo que em silêncio, esteve sempre presente em nossas histórias de vida.

Música e educação. Qual é a relação? Assim como o projeto Música em Família busca ‘estreitar relações entre três personagens do processo educativo: a criança, a família e a escola, através da música e das artes’, outros povos também utilizaram a música como base da formação, em diferentes estágios da vida. Inclusive na educação de adultos, arrisco dizer, que podemos conhecer muito sobre nossos aprendizes ao utilizar a música como uma ferramenta didática.

Na Andragogia buscamos estreitar a relação entre educador e aprendiz, de forma horizontal e flexível, utilizando metodologias ativas para envolver a todos num ambiente de partilha de saberes e experiências. Pretendemos trabalhar as emoções e os sentimentos, gerando reflexões sobre a ‘interioridade’ de cada indivíduo, e não impor um conteúdo pertencente a um currículo engessado e desatualizado.

Inclusive, tenho recebido muitos contatos de professores de música que querem saber sobre os princípios andragógicos aplicados na educação musical. Percebo que muitos deles, querem apresentar um propósito para suas formações, que não querem simplesmente trabalhar conceitos e teorias. Também tenho percebido muitos investigadores que escolhem para suas teses, a relação da música com a educação, o que é incrível e de bom proveito.

Confesso que se fosse possível, todas as minhas aulas teriam uma música de fundo. A complexidade está em encontrar um ritmo que esteja de acordo com os sentimentos de cada um, e claro, com o contexto de aprendizagem. Em poucas tentativas que fiz, ao desenvolver atividades em grupos e colocar uma música como Happy (Pharrell Williams), percebi uma energia maior daqueles que ali estavam. Você já tentou algo parecido? Compartilhe conosco.

A relação da música com a educação está no propósito de ambos: orientar para a vida. Da mesma forma que a música volta-se aos sentimentos, nos toca a alma e busca transmitir uma mensagem, o educador de adultos assim deveria encarar a sala de aula. Se o aprendiz, ao ter contato com um conhecimento, percebe sua aplicabilidade, reflete sobre sua importância e entende que fará diferença em sua vida, passará a encarar a educação da mesma forma com que escuta uma música que lhe encanta.

Tanto o músico, quanto o educador, pretendem ter a atenção do público. O músico, se preocupa com a letra, harmonia e com a mensagem que está transmitindo. O educador, segue esse mesmo rumo, preocupado com o conteúdo, com a didática e em ser relevante naquilo que transmite. A música fascina, assim como a boa educação.

Por fim, durante muito tempo utilizamos a música de várias maneiras, com diferentes finalidades. O mesmo, aconteceu com a educação. A música que nos marca, que lembramos para o resto de nossas vidas, é aquela com um bom ritmo, que transmite uma mensagem que nos faz refletir e que nos motiva a querer escutar outra vez mais. E com a educação, não deveria ser assim?

Caio Beck
ADMINISTRATOR
AUTOR

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