728 x 90
728 x 90

Onde reflete a falta de educação?

Onde reflete a falta de educação?

O Brasil ocupa péssimas posições nos rankings internacionais de educação, mas como essa triste realidade brasileira pode afetar outros ambientes?

Para quem trabalha com recrutamento, treinamento e desenvolvimento de pessoas no Brasil, já deve ter sentido na pele a dificuldade em encontrar profissionais capacitados e aptos para uma determinada função. Temos sim bons profissionais, inclusive muitos deles são até mais do que precisamos, mas a questão é que a grande parte dos trabalhadores brasileiros não possui formação e a perícia para desenvolver a atividade para qual estão locados.

Isso começa com a nossa cultura de querer abraçar o mundo e fazer 1001 coisas ao mesmo tempo. Com certeza você conhece um profissional que trabalha como professor, mas que aos finais de semana arruma computador, toca violão em uma banda durante as noites e sempre que possível, faz um ‘bico’ de jardineiro na vizinhança. Ele não é técnico em informática, nem músico, nem jardineiro e talvez ele não seja também um professor! Ele é um brasileiro, que assim como a maioria de nós, busca formas de aumentar a sua renda e precisa se adaptar ao ambiente que está situado, se não, acaba ficando para trás.

Não é incomum encontrarmos profissionais com carteiras de trabalho tão ‘recheadas’ de carimbos que parecem mais um passaporte. Essa é a realidade quando se não tem um foco, direção ou especialização. Isso é culpa nas nossas escolas, ou melhor, da educação brasileira, que não prepara os profissionais para encarar o mercado. A solução seria aplicar mais testes vocacionais? Não! Esse não seria o caminho para mostrar ao estudante, qual é a importância das disciplinas que se aprende em sala de aula.

É cultural que o estudante brasileiro saia da escola e se torne um profissional com multi-funções, pois desde o primeiro estágio de trabalho, já ‘aprendemos’ a servir café, tirar xerox, ir ao banco, atualizar a agenda do chefe, dentre tantas outras ‘ótimas’ tarefas que nos agregam conhecimento e habilidade. Em nenhum momento dessa etapa de desenvolvimento, fazemos um esforço para relacionar o conteúdo de sala de aula, com as práticas operacionais.

Ensinamos português e matemática, mas não explicamos a importância de se escrever certo e ter uma boa postura verbal em uma organização, nem como e onde utilizaríamos cálculos durante a nossa vida profissional.

A falta ou falha na educação em escolas, cursos técnicos e até mesmo nas universidades, refletem nos inúmeros acidentes de trabalhos, nos alarmantes índices de desemprego e também no grande número de profissionais desorientados. É difícil compararmos a taxa de desemprego dos Estados Unidos com a do Brasil (4,3% para os Americanos e 13,6% para os Brasileiros), mas gostaria de gerar uma reflexão nesta diferença gritante e fazermos uma análise sobre onde poderíamos melhorar na educação.

A grande diferença cultural e que afeta a educação entre Brasil e EUA é a qualidade de ensino e seus principais objetivos: criar talentos para mercados carentes de mão de obra, buscar a criação de novos conhecimentos essenciais para a ciência e desenvolver a economia. Ou seja, nas escolas e universidades americanas já se ensina como é o mercado de trabalho, quais são as suas carências e as oportunidades. É por isso que a cultura empreendedora dos norte-americanos é destaque em toda e qualquer notícia, pois o estudante enxerga em sala de aula, oportunidades do mercado e já se prepara para enfrentá-los.

Para quem conhece a cultura americana é de se espantar a forma com que os trabalhadores buscam a especialização naquilo que se faz. Se você encontrar um eletricista, pode ter a certeza de que ele é um especialista em elétrica, mas não poderá lhe ajudar com atividades de soldagem, nem de hidráulica. Isso não é ruim, afinal, esse profissional investe o seu tempo para se aprofundar, aprender e praticar a sua profissão, coisa que qualquer trabalhador deveria fazer. Talvez um dia perceberemos que não adianta termos 20 anos de experiência, ter passados por 8 empresas e ocupado 15 cargos diferentes. Talvez faça falta a especialização em uma atividade e será o momento para refletirmos se realmente ‘somos bons em algo’.

Um assunto para outro momento é a forma com a qual as universidades americanas constroem seu capital (exemplo no mundo todo), utilizando recursos do governo, mas também investimentos de empresas e doações de ex-alunos, algo que acontece pouquíssimo em nosso país. Isso acontece porque eles enxergaram a importância de se investir no povo enquanto ainda são estudantes e não, quando já são profissionais e estão na fila da agência de emprego esperando oportunidades.

Se não investirmos nas instituições de ensino, em metodologias que façam nossos alunos desenvolverem competências (técnicas e comportamentais) e ferramentas para que se tornem ótimos profissionais, com certeza terá uma (má) influência enorme no mercado de trabalho.

E você, o que acha desse assunto? Deixe aqui nos comentários e participe desse debate.

Caio Beck
ADMINISTRATOR
AUTOR

Deixe um Comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos com * são obrigatórios.

Cancel reply