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As 8 Idades do Homem (Erik Erikson)

As 8 Idades do Homem (Erik Erikson)

Você já ouviu falar sobre as 8 Idades do Homem de Erik Erikson? Também é conhecida como a Teoria do Desenvolvimento Psicossocial.

Hoje gostaria de partilhar um ótimo estudo feito pelo psicanalista alemão Erik Erikson, que serve como um dos pilares para conhecer o comportamento do ser humano em diversas etapas da vida e quais as principais influências nestes ciclos. Com base neste estudo, é que muito estudiosos defendem as Ciências Agógicas, uma vez que aprendemos de forma diferente em cada um dos estágios de Erikson, influenciados por uma sequência normativa de aquisições psicossociais.

Em 1927, quando Erikson tinha 25 anos, teve a experiência de trabalhar com Anna, a filha mais nova de Freud, uma educadora envolvida em projetos com orientação infantil no Instituto de Psicanálise de Viena. Esse foi o começo de uma vida de pesquisas e observações. Ali, ao observar as crianças e adolescentes, em especial o comportamento durante as atividades e o ego de cada uma deles, passou a despertar interesse pela investigação do desenvolvimento humano.

Dentre suas diversas pesquisas sobre as práticas educativas, destaco duas delas: a primeira feita na reserva Pine Ridge, dos índios Sioux, onde analisou e entrevistou crianças, jovens e adultos, buscando identificar a influência de fatores culturais no desenvolvimento psicológico; e a segunda com os índios Yurok, no norte da Califórnia, como um complemento e afirmação de sua pesquisa. Tais pesquisas foram fundamentais para Erikson perceber que a cultura, o ambiente e a idade afetam diretamente no desenvolvimento do indivíduo.

As 8 Idades do Homem, também conhecida como a Teoria do Desenvolvimento Psicossocial, foi publicada em 1950, em seu livro Infância e Sociedade (Childhood and Society). O estudo de Erikson apresenta muito sobre o comportamento de nossos aprendizes, que pode ser muito útil ao educador, seja no ambiente acadêmico, empresarial ou até mesmo em uma comunidade. Vale salientar que o estudo foi publicado na metade do século passado e sabemos que o comportamento do ser humano sofre influências de acordo com a época em que vive.

Vou tentar resumir os estágios, para que não fique um artigo cansativo. Vamos lá?

1º Estágio (0 – 18 meses): é o momento em que consideramos o mundo seguro, com eventos imprevisíveis e que dependemos de cuidados (normalmente da mãe ou de outra figura que a substitua). Ao mesmo tempo que temos um senso de confiança nesta etapa, podemos sentir muito medo quando as experiências são incertas. A educação é feita através de suprir as necessidades básicas e do cuidado afetivo, buscando estabelecer uma base de confiança entre o cuidador e a criança. Erikson acreditava que quando os cuidadores são ausentes, inconscientes ou rejeitam a criança, o medo é aguçado e a desconfiança aumenta, mas se acontece o contrário, a criança se sente mais segura e a probabilidade de formar relacionamentos de confiança em outras etapas da vida são maiores.

2º Estágio (18 meses – 3 anos): a partir do momento que o corpo se fortalece e a criança assume a autonomia de se deslocar de um lugar para outro, passa a surgir a sensação de independência. Por exemplo, quando aprendemos a ir ao banheiro sozinhos, o sentimento de controle desperta a confiança. Um dos cuidados no desenvolvimento durante esta etapa é que a criança passa a tentar colocar em prática possíveis habilidades que acredita possuir, e ao não conseguir executar uma atividade, pode despertar um sentimento de vergonha. Ao educador, caberá o papel de incentivar o senso de autocontrole, a autonomia pessoal e trabalhar principalmente a coordenação motora e o raciocínio, fatores muito importantes para o próximo estágio.

3º Estágio (3 – 5 anos): é nessa etapa que a criança passa a confiar, ou não, em si e no mundo ao redor. Ao entrar no período pré-escolar, as crianças experimentam as coisas por contra própria, exploram suas habilidades, sem que um cuidador tenha que as incentivar a todo momento. Surgem os desafios, as tarefas e as atividades coletivas, onde a criança passa a se comunicar com mais frequência com outras pessoas. Neste momento a criança ainda não sabe se é boa ou ruim em determinada atividade, mas quando passa a brincar, aprender coisas novas e a fazer suas próprias escolhas enxergam o mundo como uma oportunidade. Quando as crianças não são incentivadas a serem criativas, a tentar algo novo e interagir com os colegas, pode ser que se sintam constrangidas, porém se tentam e obtém resultados (positivos ou negativos), aprendem que a atitude de ‘tentar’ é sempre um aprendizado.

4º Estágio (6 – 11 anos): a interação social nesta etapa é fundamental para o desenvolvimento da criança. Nesta etapa começam a desenvolver conhecimentos e habilidades de acordo com seus interesses, e ao colocar em teste, percebem se são competentes ou não naquilo que almejam. Se inicia o auto conceito e até mesmo uma sensação de orgulho ao exercer uma atividade com êxito. Os elogios nessa fase são fundamentais, pois queremos construir na criança a autoconfiança e a capacidade de resolver seus problemas. Apoiar, incentivar, aconselhar são formas de promover com sucesso a educação da criança, para que não se sinta inferior aos colegas. As (des)motivações externas também influenciam bastante no desenvolvimento, já que nessa etapa a criança tem como referência os seus pais e pessoas próximas, portanto, se um pai não se interessa pelo estudo, ou se em algum momento desencoraja a criança a dedicar-se, é bem provável que isso afete as demais etapas do desenvolvimento.

5º Estágio (12 – 18 anos): de acordo com Erikson, nesta etapa o adolescente desenvolve a sua identidade, que pode sofrer alterações constantes devido a interação social na escola, em casa, no escoteiro, no clube, etc. É a famosa época do “quem sou eu?”. Os adolescentes são considerados rebeldes, imprevisíveis e impulsivos, mas tudo isso faz parte de um processo de encontrar sua própria identidade. Atualmente até as séries e os filmes são fatores importantes na formação do indivíduo, portanto o educador precisa trabalhar esse lado íntimo e saber identificar suas motivações. Se não for bem trabalhado o interesse do adolescente, o sentimento de isolamento é muito comum neste estágio, afetando as demais etapas da vida. Aqui podemos começar a trabalhar os 4 Pilares da Educação, mas dando ênfase ao Aprender com os Outros, incentivando a interação social, os relacionamentos e os conceitos que se formam de acordo com as experiências vividas.

6º Estágio (19 – 40 anos): na teoria de Erikson, quando atingimos este ciclo, nos centramos ao desenvolvimento social e emocional. Ao atingir a fase adulta, surgem os relacionamentos, as responsabilidades, a inserção em ambientes que antes não tínhamos contato e temos que tomar decisões importantes, que afetam o desenvolvimento pessoal. A relação com a família, amigos, colegas de trabalho e com o parceiro (namorado(a), noivo(a), esposo(a), etc) afetam diretamente as motivações do indivíduo e suas ambições. As influências externas afetam muito mais do que as internas, e a preferência pela aprendizagem acontece de forma mais prática, mesmo que parte dela seja em um ambiente acadêmico. O interesse é por conseguir um trabalho, buscar uma promoção, ser visto como uma pessoa de sucesso, etc. Cabe ao educador saber trabalhar o lado interno, as motivações intrínsecas e mostrar ao adulto que os conhecimentos teóricos também são importantes para suas realizações pessoais e profissionais.

7º Estágio (41 – 65 anos): neste momento, Erikson afirma que é um período de estagnação, onde o adulto já atingiu aquilo que estava buscando nos estágios anteriores e passa a cultivar os relacionamentos e se preocupa mais com os outros do que consigo mesmo. A sensação de contribuir para algo é fundamental, portanto nesta fase é preciso despertar um propósito ao indivíduo. O que acontece muito também é uma frequente reflexão sobre tudo aquilo que fizeram em momentos anteriores, arrependidos dos erros e orgulhosos com os acertos. Trabalhar com o desenvolvimento neste estágio é apresentar formas de se tornarem mais produtivos, melhorarem suas competências, buscar lacunas a serem preenchidas e proporcionar uma sensação de satisfação ao aprender algo novo.

8º Estágio (Após os 65 anos): a última etapa de nossa vida é também um momento de reflexão: ‘eu vivi uma vida significativa?’. Erikson destaca a sabedoria como uma virtude básica e alerta os educadores de ‘idosos’ para que saibam trabalhar os possíveis arrependimentos e insucessos. Neste estágio é comum a reflexão e o autoconhecimento, que se não forem bem trabalhados, podem gerar amarguras e desesperos, portanto, o desenvolvimento deve ser voltado para o futuro, pensando em uma educação ao longo da vida, sem ‘remoer’ o passado. Erikson fala muito sobre ensinar o indivíduo a enfrentar o fim da vida, com sabedoria e paz, buscando a integridade do ego e dando valor as experiências adquiridas durante os estágios anteriores.

O estudo nos mostra que aprendemos de formas diferentes em cada um dos estágios, sendo assim, como a educação pode ser igual para todos? É preciso entender o processo de aprendizagem do indivíduo, as motivações e os interesses comuns em cada uma das etapas. Concorda?

Se você quiser saber mais sobre As 8 Idades do Homem, saiba que existem muitos artigos, teses, livros e referências sobre o tema. Erikson é um dos psicólogos mais citados no mundo e contribuiu bastante na investigação sobre o desenvolvimento humano.

Caso tenha algo a acrescentar, fique a vontade. Deixe o seu comentário, concordando ou não com a teoria apresentada. Até um próximo artigo! 🙂

Caio Beck
ADMINISTRATOR
AUTOR

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