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Hoje escrevo sobre algo que foi tema de uma conversa recente que tive com 2 professores universitários. Meus colegas comentavam que identificar 'quem são' os alunos é algo muito complicado, que não dá tempo de conhecer individualmente cada aprendiz e me perguntaram sobre alguma técnica possível de ser aplicada. Um deles comentou, que após 1 semana já nem lembra mais quem são os alunos.

Em 1954, um psicólogo americano chamado John C. Flanagan, trabalhava o que conhecemos por Critical Incident Technique - CIT (Técnica de Incidente Crítico), uma série de procedimentos para a coleta de observações diretas do comportamento humano. Nesta técnica, Flanagan introduziu uma ação chamada de 'registro anedótico', que tomei a liberdade de relacionar com práticas do ambiente educacional.

Acho justo iniciarmos uma reflexão sobre o que é uma anedota, pois aqui não devemos confundir o conceito com uma 'piada ou fato engraçado'. Com base na etimologia da palavra, o intuito de Flanagan volta-se a uma evidência informal na forma de anedota (conto, episódio) derivado do grego anékdota, significando 'coisas não publicadas'.

Os registros anedóticos de Flanagan consistem em procedimentos para recolher informação de acontecimentos importantes que afetam o comportamento em situações definidas. São fatos significativos e reais de conduta dos alunos que manifestam sua personalidade. Tais registros são muito úteis para o educador, pois com eles se conhece e compreende melhor a turma e auxilia a conseguir uma maior competência na identificação das causas do comportamento.

Quando se registra acontecimentos, passamos a perceber de fato o que acontece em nossa sala de aula, a identificar o motivo do desinteresse, da falta de atenção, os comportamentos incomuns e os incidentes considerados tanto positivos como negativos passam a fazer parte do processo de aprendizagem. Imagine que você (educador) está apertando a tecla 'printscreen' em diversos momentos da sala de aula, ou seja, capturando momentos.

De acordo com Janet Gonzales (2014), os registros anedóticos podem se basear em reflexões, lembranças de coisas que aconteceram em sala de aula. Às vezes, caso o educador sinta a necessidade, também é possível anotar as coisas enquanto elas acontecem (ou no intervalo). O importante é que sejam anotações rápidas, insights sobre ações e interações dos alunos, algo que te faça lembrar dos aprendizes.

Se você é um professor acadêmico, que acompanha uma turma por vários encontros (ex.: em um curso de graduação), é possível criar um registro acumulativo de acontecimentos de alunos específicos. Dê atenção para as diferenças individuais dos alunos, a forma de conduta e interação dos grupos, analise e registre a atitude daqueles que são mais tímidos, dos que perguntam mais, para que você possa criar um 'dossiê' comportamental de seus aprendizes.

Nesse momento você deve estar se perguntando: Mas qual é a vantagem disso?

Registrando momentos em sala de aula, você passará a conhecer o comportamento de seus alunos, identificar experiências e 'pré-conceitos', assim como, armazenar atitudes positivas e negativas que possam somar no processo de aprendizagem. Quando passamos a olhar individualmente nossos alunos, entendemos que um adulto é diferente do outro. Que as motivações internas são únicas e que os perfis, por mais que semelhantes, são completamente distintos.

Ver e observar é uma forma inteligente de você registrar fatos anedóticos. Não é preciso anotar em uma cartolina, nem no flipchart. Pode ser um processo íntimo do educador, uma ferramenta didática para auxiliar no processo de ensino-aprendizagem. Quando você memoriza um registro, automaticamente irá interpreta-lo e apresentar possíveis orientações/recomendações para aquele momento.

Ex.: Um aluno que sempre se comunica bem, faz perguntas e é interativa, na aula de hoje estava bem quieto. Fiz um registro anedótico dele, sem que ele precisasse se expor ou eu precisasse aborda-lo. Com isso, passo a perceber melhor seus comportamentos em outras aulas, até encontrar um real motivo para aquela reação. Pode ser que seja a didática que eu apliquei, um problema pessoal, ou algum desconforto com outro colega em sala de aula.

Identifique se o aluno é mais teórico, se costuma sentar sempre no mesmo lugar, se faz anotações enquanto você explica, isso tudo são registros anedóticos de muito valor. Perceba as reações quando você passar um vídeo ou propôr uma dinâmica. Lembre-se dos comentários, das dificuldades e das expressões nos rostos em sua frente. Aproveite a sua posição diante dos alunos, olhe para eles.

Olhar para as pessoas é 'ser humano', é valorizar individualmente cada uma das pessoas ao nosso redor, é dar importância para pequenas atitudes, mesmo que negativas. Registrar como as pessoas se comportam em sala de aula é um ótimo passo para compreendê-las, saber quem são, como preferem aprender e o por que estão ali.

Pense nisso! Registre.

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Caio Beck

Especialista em Educação de adultos.

E-mail: caiobeck@andragogiabrasil.com.br

Skype: caio.beck

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