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Olá Andragogos, tudo bem com vocês?

Começo o texto de hoje citando uma frase de Içami Tiba, que retirei do excelente livro 'Ensinar Aprendendo': O professor impõe o aprendizado, precisa cobrar a matéria. O mestre desperta a vontade de aprender.

Mensagem simples e objetiva, mas que nos traz uma ótima reflexão. Quem Içami denomina de professor, costumo chamar de 'executor de aulas', e quem o escritor reconhece como mestre, opto por tratar como 'educador'. Já escrevi um artigo sobre isso, portanto não me prenderei nas 'alcunhas' e sim, na provocação intencionada.

Durante o capítulo "Professores e Mestres", são feitas diversas comparações entre estes tipos de atitudes em sala de aula, sendo uma delas a postura 'top-down'. Você já deve ter sido aluno de um professor, que no auge de sua sabedoria, não se deixava questionar. Esse tipo de profissional apresenta aos seus aprendizes apenas duas formas de se conseguir aprender ou fazer algo: 1ª: a forma que ele está propondo; 2ª: a errada.

A Andragogia defende muito a relação daquilo que se ensina, com a realidade de cada um dos alunos. Não somente a união de teoria e prática, e sim, que todo conteúdo abordado faça sentido/relação com algo que o aprendiz adulto está buscando ou que o desperte curiosidade por ser algo que ele identifica aplicabilidade.

Você lembra da maioria dos ensinamentos de seus professores? Agora pergunto: e das palavras de seus mestres? Perceba que mestre, nem sempre é aquele com titulação stricto sensu, e sim aquele cujo qual a sabedoria é multiplicativa. A maioria das avós são mestres, elas sempre nos alertaram e nunca demos valor. Hoje, mais maduros, pensamos: sim, elas tinham razão.

Ser mestre também não está relacionado com a idade, mas sim com uma pessoa que se importa com seus aprendizes. Você deve conhecer pessoas que procuram entender quem você é, que possuem empatia e se colocam em seu lugar, talvez até com técnicas (rapport), mas elas o fazem, e muito bem. Nos sentimos mais acolhidos e quando percebemos que os ensinamentos fazem sentido, que foram apresentados para nosso bem, passamos a nos interessar. "Wow, ele está ensinando o que eu precisava"; "Nossa, esse exemplo foi para mim"; "Sempre quis saber isso".

Precisamos entender que o mestre também aprende e que ao contrário do movimento sofístico criado na Grécia Antiga, não se consideram sofistas, portanto sabem que não detém todo o saber. Aprendem todos os dias, em cada aula, com cada um dos alunos que ali frequentam. Se não o fazem, perdem oportunidades, ficam tristes e insatisfeitos. Se colocam na mesma condição que o aluno, de não possuir um conhecimento formatado, mas priorizam pelo autoconhecimento, de conseguir levar seus aprendizes para a autorreflexão e com isso, fazê-los aprender com seus 'pré-conceitos' e experiências.

Para se tornar um mestre em sala de aula é preciso deixar o ego em casa, esquecer seus títulos acadêmicos, seus anos de experiências profissionais e buscar sempre uma aproximação horizontal, afinal, não é porque você está em pé, segurando o passador de slides, que agora detém os conhecimentos necessários para desenvolver as competências esperadas pelos alunos.

Sinceramente, nunca vi um mestre que se autodenomine mestre. Ninguém se olha no espelho e fala: agora sou mestre. Em contrapartida, já vi muitos que se consideram professores. Só é mestre, aquele que têm discípulos, pessoas que se inspiram em suas sabedorias e nos ensinamentos transmitidos. Paradoxalmente, aquele que é professor, pode continuar se considerando professor, mesmo sem ter um aluno se quer em sala de aula.

Para finalizar a reflexão, sempre que encontrei um mestre, ou li sobre ele, jamais identifiquei um aluno infeliz, com preguiça de adquirir um novo conhecimento ou que não queira saber as próximas palavras lançadas pelo mestre. Mesmo que indiretamente, o mestre desperta a vontade de aprender. Volto a dizer, dos professores, já senti, presenciei e estou sempre alertando: seus alunos não estão motivados, não querem aprender, estão se sentindo distantes.

A resposta que sempre recebo dos professores é: "mas a culpa é deles, não minha. São desinteressados!" Será? Reflita.

Caio Beck

Especialista em Educação de adultos.

E-mail: caiobeck@andragogiabrasil.com.br

Skype: caio.beck

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